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Paulo Vitor: “Com muita bruxaria, exorcizamos nossos fantasmas”

Na história do Internacional e no entendimento de boa parte da torcida o pior momento da história do Inter teve um ponto de partida: a demissão do técnico Diego Aguirre às vésperas de um clássico, onde viríamos a tomar uma goleada histórica e o novo técnico, Argel Fucks, seria anunciado. Era o “tapa buraco” para o segundo semestre de 2015. Foi erroneamente mantido para a temporada seguinte e montou um grupo fraco e carente. Deixou que D’Alessandro, Réver, Lisandro Lopez, Juan e Rodrigo Moledo saíssem para que o treinador desse espaço par Arthur, Geferson, Gustavo Ferrareis e companhia. Até deu certo no inicio, vencemos o gauchão, mas o time despencou no Brasileiro. Tudo bem, Argel não foi o técnico que caiu com o Inter, mas foi quem deixou o Inter aos pedaços, com a chacota do trator marcado na pele dos colorados e parece ter deixado de herança uma “zica” monstruosa no Beira-Rio, que culminou no fatídico rebaixamento.

Nem a volta de D’Alessandro, nem o artilheiro do último Campeonato Brasileiro, nem técnico nenhum conseguiam fazer o Inter voltar a apresentar bom futebol. Foram derrotas bizarras, lances patéticos, até o Beira-Rio parecia jogar contra. Tudo dava errado para o Inter, mas existe uma crença que antes das coisas darem certo elas dão muito erradas. O Inter passou por seu calvário nos últimos 12 meses, mas os caminhos colorados começaram a se abrir debaixo de muito sal grosso. A vitória diante do Oeste veio para trazer a confiança, mas o Inter precisava de mais. Precisava de um ritual de passagem e ele veio.

1º de agosto de 2017. Guardem está data, pois podemos ter presenciado o Inter ressurgir das próprias cinzas. O time jogou um belo futebol, marcou, atacou, teve raça e talento. Criou inúmeras chances de gol e foi competente para converter três delas. Danilo Fernandes foi seguro como sempre, Winck com o apoio dos jogadores do setor direito na marcação teve possibilidade de se aproveitar da sua principal virtude que é o ataque. Klaus e Cuesta foram sólidos. Uendel, talvez o mais abaixo, teve o resto do time como suporte. Dourado monstro, combinação de entrega e técnica. Edenílson começou abaixo, mas no segundo tempo cresceu com o time. Um dos estreantes, Camilo mostrou muita qualidade, 10 clássico, cabeça erguida e muita movimentação. Falando em movimentação, o que falta de precisão no chute sobra de entrega e comprometimento em Eduardo Sasha. Harry Pottker comandou a bruxaria, marcou, fez gol, deu assistência e se deu ao luxo até de deixar Damião bater um pênalti e errar outro. Damião voltou no estilo várzea, além de marcar gol, empolgou.  O Inter foi Inter outra vez.

Não estou aqui iludindo ninguém e nem dizendo que o Inter está pronto para voltar a Série A. Mas é preciso falar que ao que tudo indica fechou o pior ciclo da sua história. Não teve nada que segurasse o ímpeto do Inter e tinha que ser contra Argel. Como um roteiro hollywoodiano, o Inter acaba um capítulo sombrio na sua história, junto com quem fez muito para que as coisas chegassem onde chegaram. O Inter exorcizou o fantasma da Série B, exorcizou Argel e seu trator  e começa a ressurgir das próprias cinzas.

 

  • J “B” Filho

    Esse texto vale só até o próximo jogo contra o poderoso Guarani.

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