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Lucas Collar: “O que aconteceu após esse lance?”

A noite era de quarta-feira. 15 de Julho de 2015. O Inter recebia o Tigres, do México, pela semifinal da Copa Libertadores da América no Beira-Rio completamente lotado. Depois de D’Alessandro abrir o marcador, aos 4′ após belo chute rasteiro da entrada da área, Valdívia ampliou a vantagem do Inter aos 10′. E aí, torcedor? Você lembra o que aconteceu após esse lance? O Inter com ampla vantagem diante dos mexicanos, tinha a faca e queijo na mão para chegar em mais uma final da Libertadores, mas o que se viu, após o chute de Valdívia, foi uma sequência intermináveis de erros que explicam muito dos motivos para o time estar dentro da zona de rebaixamento do Brasileirão 2016.

O primeiro erro aconteceu antes do lance citado. Após a classificação diante do Santa Fé, o Inter não soube aproveitar a parada da competição continental, em virtude da Copa América, e acabou desviando muito o foco. O time oscilava demais no Brasileirão e alguns jogadores não chegaram na sua melhor condição diante do Tigres, o que culminou na fatídica eliminação, no México, na derrota por 3 a 1, com direito a pênalti perdido por Rafael Sóbis. Porém, erros maiores se avizinhavam e em um futuro não muito distante. Semanas depois, antes de um Gre-Nal, a direção optou pela demissão de Diego Aguirre para gerar um “fato novo” e todos sabem o que aconteceu: Uma gigantesca goleada do Grêmio por 5 a 0 diante de um time totalmente perdido e sem poder de reação.

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A solução encontrada foi de um técnico “enérgico” e Argel Fucks, então técnico do Figueirense, foi contratado para o comando técnico. A campanha dentro do Campeonato Brasileiro, no segundo turno, até foi razoável, mas resultados inexplicáveis contra o Fluminense, praticamente reserva e de férias e uma virada para o já rebaixado Goiás, acabaram deixando o Inter de fora da Libertadores deste ano e com um primeiro semestre totalmente dedicado a disputa do Gauchão e da Primeira Liga. E aí, na minha visão, mais um equívoco: a manutenção de Argel Fucks para 2016. O técnico, junto de Carlos Pellegrini, então vice-presidente de futebol, foram responsáveis pela formação do elenco, que já tinha baixas importantes como Charles Aranguiz, Nilmar, Lisandro López e que, por uma má condução nas negociações, não conseguiu renovar com o goleiro Alisson, um líder e ídolo em ascensão dentro do clube.

2016 começou e com ele uma surpresa que pegou todos de surpresa. O Inter estava emprestando, ou seja, abrindo mão do seu principal jogador. D’Alessandro estava de saída para o River Plate, time que o revelou para o futebol. No discurso de despedida, a promessa de “preferência” de um jogador do clube argentino ou de reposição, que acabou não acontecendo até hoje. A campanha colorada no Gauchão foi pífia. O time perdeu para o Veranópolis, em casa e não conseguia vencer times como Lajeadense, Aimoré e São Paulo. O time ficou com a 3ª melhor campanha geral, atrás do São José, adversário da semifinal, que segurou um 0 a 0 no Beira-Rio e a vaga na final aconteceu somente com sofrimento no Passo D’Areia. O hexacampeonato chegou como um presente do rival, que acabou caindo diante do Juventude, que não impôs dificuldade na grande final.

Apesar do elenco limitado, sem reforços chegando e de nenhuma expectativa dentro do Brasileirão, o Inter arrancou bem dentro da competição nacional e surpreendeu a todos. O time não jogava bem, mas conseguia os resultados dentro e fora do Beira-Rio. O discurso de “Pezinho no Chão”, ganhou força, mas nem o mais otimista colorado, acreditava que jogando mal todos os jogos, seria possível manter essa campanha, que tinha em Danilo Fernandes, substituto de Alisson, o grande nome da equipe. O tempo foi passando e os resultados pararam de vir. O time não jogava bem e também era derrotado por Figueirense, Botafogo, Vitória, Grêmio, Flamengo e até pelo Santa Cruz, no jogo que resultou na demissão de Argel Fucks e na chegada de Paulo Roberto Falcão, que é um dos maiores ídolos do clube, mas que não tinha um currículo que justificasse a sua contratação em um momento tão conturbado. Mesmo com as chegadas de Seijas, Ariel e Nico López, o time não conseguia reagir e mais derrotas chegaram: Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro e empates contra Ponte Preta e Fluminense.

Os bastidores eram recheados de desastres. O Inter tentou comprar o lateral-direito Ceará, mas por conta da uma lesão no exame médico, acabou divulgando nota oficial, negando a possível contratação, entrando em uma briga com o Coritiba, que divulgou documentos da negociação. O zagueiro Eduardo, emprestado ao Náutico, foi chamado de volta, às pressas, depois do Inter ter liberado praticamente de graça, nomes como Rodrigo Moledo, Réver e Jackson e apostando em Leandro Almeida, sem espaço no Palmeiras, como solução imediata. Com tantos erros, a “Swat colorada” foi convocada. Fernando Carvalho, Ibsen Pinheiro, Newton Drummond e Celso Roth foram as soluções encontradas por Vitório Piffero para sanar a crise, protestos intermináveis da torcida e tentar colocar o time no rumo das vitórias, mas novos tropeços contra Chapecoense, São Paulo e Sport aconteceram e o Inter, enfim, depois do gol de Valdívia contra o Tigres, entrou na zona de rebaixamento.

Não sei se o Inter terá tempo para se salvar de um rebaixamento inédito, manchando a história do clube, mas como já dizia o ex-técnico Muricy Ramalho: “a bola pune”. Se o torcedor ajudar e o clube conseguir a permanência na Série A, pelo menos ficará o aprendizado para todos, de que nada é por acaso, a bola não entra sozinha dentro do gol adversário e que uma sequência de decisões equivocadas e absurdas, podem custar bem caro para um clube gigante como o Inter.

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